O tal padrão de jogo


HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online

Virou chavão. É só uma equipe perder que já começam os comentários de que o time não tem padrão de jogo. O termo também virou uma excelente muleta para os dirigentes na hora de demitir treinadores.

Entendo que para uma equipe pensar em ter padrão de jogo ela precisa ter equilíbrio, ou seja, tem de saber se defender com a mesma precisão que ataca. Temos em nosso futebol times em que todos os setores --defesa, meio-campo e ataque-- jogam muito distantes um do outro.

Ou seja, quando você vê essa equipe jogando vai parecer que ela tem menos jogadores que o adversário. Passa a nítida impressão de que o clube ataca com poucos jogadores, pois não consegue furar a defesa inimiga, e se defende muito mal, já que os adversários não encontram nenhum obstáculo para encontrar espaço para fazer uma finalização.

Para se montar uma equipe bem equilibrada, o processo passa pelo treinador saber montar a escalação com o esquema tático mais adequado com os jogadores que ele tem no elenco. Isso passa em escalar os atletas nas posições e funções certas.

Isso é básico. Mas não são todos os treinadores que fazem isso.

Por exemplo: não adianta escalar um jogador que está acostumado a atuar como ala com a função de lateral marcador que ele nunca vai fazer bem a função. Na verdade, o time vai perder uma opção ofensiva e não vai ganhar segurança defensiva.

Com o esquema definido e os jogadores certos fica muito fácil montar uma equipe mais equilibrada e que jogue de maneira compacta.

Peço que não se confunda que padrão de jogo se resume a uma equipe jogar sempre, os 90 minutos, no mesmo esquema. Um time bem estruturado muda de esquema constantemente durante a partida.

Pode, por exemplo, iniciar a partida marcando a saída de bola do adversário --depois, passa a marcar apenas no seu campo de defesa.

Uma equipe também pode variar seu esquema durante a partida. Ela precisa ter padrão de jogo. Bem treinada, sabe como mudar o ritmo da partida.

Uma equipe bem preparada sabe o que fazer quando tem a bola nos pés. Consegue manter a posse de bola e ter volume de jogo. Com os jogadores bem distribuídos, sempre vai haver um homem livre para receber a bola.

Além da opção do passe curto, um time bem organizado consegue evoluir virando a bola constantemente e pegando a marcação do adversário desprevenida. Com atletas colocados corretamente no gramado, consegue pegar mais rebotes e ter outra chance de tentar um ataque.

Lógico que um time que queira ter o mínimo de padrão de jogo precisa ter uma série de jogadas pré-determinadas. E elas passam das jogadas ensaiadas nas bolas paradas, passagens pelas laterais do campo, triangulações para surpreender o adversário.

Tudo isso se resume em o time saber exatamente o que fazer em determinados momentos da partida. Quais jogadores devem se deslocar e para quem deve ser passada a bola.

Como já disse, quando se fala em padrão de jogo não podemos esquecer da parte defensiva. Por isso, o ideal é armar um sistema defensivo em que os jogadores precisem se deslocar muito para fazer a marcação. Se um zagueiro de área precisa sair sempre para marcar um jogador no campo do adversário algo está errado, pois o defensor vai abrir um espaço enorme para o time adversário.

O mesmo vale para qualquer posição. Se um volante precisar se deslocar muito, o time rival vai ter muito espaço nas imediações da grande área. E também é um sinal de que os outros jogadores de meio não estão bem posicionados e muito menos fazendo as funções determinadas.

Também por padrão de jogo se entende achar uma maneira para que os talentos da equipe consigam ter liberdade para jogar. Pois um time pode ser bem arrumado taticamente, mas sem talento não vai muito longe.

Até a próxima.

Muito bom o clássico entre Portuguesa e Santos no último domingo. Foi uma partida cheia de oportunidades e com as duas equipes procurando o gol e com emoção até o último lance da partida. O Santos sempre tomando a iniciativa e a Lusa sendo muito perigosa nos contra-ataques. Uma partida que merecia mais que os dois gols que aconteceram. É bom ver um jogo assim e constatar que não é necessário que só se tenha craques para que se possa acontecer um grande espetáculo de futebol.

Não me importa saber o que os jogadores fazem no seu horário de folga. Mas, quando o que acontece longe dos gramados começa a influir no rendimento do atleta, aí é preciso se tomar uma providência. É o caso de Adriano, do Flamengo. Os problemas pessoais do atleta já estão interferindo no time. Ele, por exemplo, já faltou em muitos treinos e está muito fora de forma. Resta ao clube tentar cortar uma série de privilégios que lhe são dados e ao próprio Adriano saber o que quer fazer da vida. Pois nem sempre ele vai poder largar tudo e encontrar um time para recomeçar a carreira.

Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a
Folha Online às terças-feiras.

E-mail: futebolnarede@grupofolha.com.br Leia as colunas anteriores

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Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/colunas/futebolnarede/ult868u704392.shtml


 

 

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