Polícia revista sede do partido de Sarkozy
DA REUTERS, EM PARIS
A polícia francesa revistou nesta semana a sede do partido do presidente Nicolas Sarkozy, a União do Movimento Popular (UMP), como parte da investigação sobre as doações ilegais efetuadas pela herdeira da L'Oréal, Liliane Bettencourt, durante a campanha presidencial de 2007.
Um porta-voz disse que a polícia estava buscando rastros de uma carta enviada em 2007 pelo ministro do Trabalho e tesoureiro da UMP, Eric Woerth, a Sarkozy. O documento mostrava o apoio de Woerth à entrega de um prêmio nacional ao homem que era administrador de bens de Bettencourt.
O partido confirmou a visita da polícia, mas disse que isso não significava uma operação de busca. "A polícia veio ao nosso escritório ontem em busca de informações. Concordamos em abrir nossas portas", disse um porta-voz da UMP, negando-se a dar maiores detalhes.
O que começou como uma briga de família entre Bettencourt e sua filha resultou em uma série de investigações sobre doações políticas, suposta sonegação de impostos e lavagem de dinheiro.
Claire Thiboult, ex-contadora de Bettencourt, denunciou que Woerth teria recebido 150 mil euros em dinheiro vivo do principal conselheiro financeira da herdeira, Patrice De Maistre, para a campanha presidencial de Nicolas Sarkozy, em 2007. Thiboult afirma ainda que Maistre lhe pediu para retirar 50 mil euros em um caixa automático para dar a Woerth.
O financiamento é ilegal segundo a legislação francesa, que limita a 4.600 euros as doações a candidatos por pessoas físicas e determina que o repasse de verbas somente pode ser feito em espécie quando inferior a 150 euros.
A polícia francesa investiga ainda o conteúdo de gravações clandestinas entre Bettencourt e seus assessores, realizadas por seu ex-mordomo entre maio de 2009 e maio de 2010, as quais sugerem operações fraudulentas na gestão de sua fortuna.
As gravações revelam conversas entre a herdeira e seus conselheiros financeiros sobre, entre outras coisas, métodos para sonegar impostos. Os interlocutores dão a entender que Woerth, então ministro de Orçamento, estaria consciente das operações.
A Procuradoria investiga ainda se Woerth usou sua influência como ministro do Orçamento (cargo que ocupou de 2007 a março de 2010) para que sua mulher, Florence, trabalhasse na empresa que gerencia a fortuna de Bettencourt. Ela se demitiu pouco após o estouro do escândalo.
Woerth, responsável por uma polêmica reforma do sistema de aposentadoria, reconheceu que interveio em nome de De Maistre sobre o prestigioso título de Legião de Honra. O prêmio foi entregue no começo de 2008, dois meses depois que Florence foi recrutada para trabalhar na empresa de Clymene, que administra a ampla fortuna de Bettencourt.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/mundo/796183-policia-revista-sede-do-partido-de-sarkozy.shtml
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