Acordo na OMC "não quebra solidariedade", diz Lula
JAIR RATTNER
da BBC Brasil, em Lisboa
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado em Lisboa que a posição do Brasil de fechar o acordo da Rodada Doha, cujas negociações ocorrem em Genebra, não foi uma "quebra de solidariedade" com os outros parceiros do G20 (grupo de países emergentes liderado por Brasil e Índia).
O presidente disse que acredita que o acordo vai ser fechado pelos outros participantes do G20 nas negociações da OMC (Organização Mundial do Comércio).
"O Brasil não quebrou solidariedade nenhuma. Participamos do G20, queremos que o acordo seja de interesse do G20, mas vocês hão de convir que dentro do G20 temos assimetrias e disparidades enormes entre os países. Os interesses dos países não são os mesmos, embora nós precisemos encontrar um denominador comum", disse Lula.
Segundo o presidente, o G20 não ficará dividido em conseqüência de o Brasil ter aceito a proposta apresentada pelos Estados Unidos e União Européia (UE) na negociações de Genebra.
Falando após o anúncio de um investimento da Embraer de 148 milhões de euros (R$ 365 milhões) em Portugal, o presidente mostrou otimismo a respeito do acordo que está sendo discutido na OMC.
"Eu continuo acreditando que nós vamos fechar o acordo. Para mim, as divergências são normais porque elas envolvem muitos interesses, envolvem países, envolvem milhares de empresários. O importante é que haja a decisão política de fazer o acordo, porque ele será bom para o mundo".
Na defesa da posição brasileira, Lula procurou assumir o papel de porta-voz dos países mais pobres.
"E não falo isso pelo Brasil, porque o Brasil é competitivo na agricultura, tem tecnologia, tem terra e tem água. Falo pelos outros países menores da América Latina, pelos países africanos, que precisariam de flexibilização do mercado europeu e do fim dos subsídios americanos para poderem colocar os seus produtos nesses mercados."
Para o presidente, é necessário que os países ricos entendam o que significa livre comércio. "O mundo rico precisa compreender que liberdade de comércio significa não apenas eles quererem vender, significa também eles terem disposição de comprar".
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u426463.shtml
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