Argentina tem muito a ganhar com acordo na OMC, diz UE
da France Presse, em Genebra (Suíça)
O comissário europeu do Comércio, Peter Mandelson, afirmou neste sábado em Genebra que a Argentina tem muito a ganhar no setor agrícola e nada a temer no setor industrial em caso de acordo na OMC (Organização Mundial do Comércio).
"As exportações argentinas para a Europa serão muito ampliadas e a Argentina não tem nada a temer no que se refere ao acesso a seus mercados industriais", afirmou Mandelson.
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Segundo ele, as delegações latino-americanas mostram uma atividade amplamente positiva e são favoráveis a discutir sobre a base do pacote apresentado pelo diretor geral da OMC, Pascal Lamy.
A Argentina afirmou hoje, no entanto, que estava preocupada com as propostas que estão sobre a mesa, dizendo ainda que as decisões do Brasil vêm causando tensões no Mercosul. "Acredito que o pacote oferece importantes oportunidades para a agricultura argentina", declarou o comissário europeu, tentando reverter a situação. "Os argentinos vêm negociando duro e muito bem, e conseguiram uma disposição especial sobre suas tarifas aduaneiras."
Fontes da delegação argentina indicaram que Buenos Aires conseguiu elevar de 10 para 22 o coeficiente de importações de manufaturados (quanto mais elevado o coeficiente, menores são os cortes das tarifas aduaneiras). "Eles estão de parabéns e podem se sentir satisfeitos", afirmou Mandelson.
O chanceler argentino, Jorge Taiana, disse ontem que as propostas de Lamy são inaceitáveis em seu estado atual. A Argentina questiona o capítulo agrícola (redução de subsídios internos e de tarifas) e o industrial (tarifas), assim como o equilíbrio que resulta de ambos. "Em agricultura as propostas são insuficientes e em produtos industriais muito elevadas', resumiu neste sábado o chefe das negociações argentino, Alfredo Chiaradia, em declarações à agência de notícias France Presse.
As principais potências comerciais que negociam na OMC chegaram a um consenso sexta-feira sobre um esboço do acordo, dando novas esperanças a uma conclusão para a Rodada Doha de liberalização mundial do comércio, iniciada em 2001.
O Brasil indicou que está pronto a aceitar o acordo, mas a Argentina não. "A posição brasileira criou uma tensão no Mercosul, mas não por nossa causa", indicou Chiaradia.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u426478.shtml
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