Biólogo norte-americano diz ter alertado coreano sobre fraude


REINALDO JOSÉ LOPES
enviado especial da Folha de S. Paulo ao Rio

Envolvido na maior fraude científica da década, Gerald Schatten afirma que "certamente" se sentiu responsável pelo escândalo: um estudo assinado com o sul-coreano Hwang Woo-Suk, que falsificou a obtenção de células-tronco de embriões clonados humanos.

Cura com célula de embrião levará décadas, diz ex-parceiro de fraudador

"A partir do primeiro momento em que eu soube que havia algo errado, primeiro ética e depois cientificamente, tratei de falar sobre isso com minha contraparte em Seul e, quando percebi que ele não faria nada a respeito, senti que deveria avisar as autoridades", disse. Schatten não participou dos experimentos na Coreia do Sul.

Gaguejando, ele descreve como se sente agora. "Há uma sensação de alívio por a fraude ter sido revelada no mesmo ano em que um dos artigos foi publicado [2005]. Graças a isso, não tivemos um enorme volume de recursos direcionados para uma linha de pesquisa que era baseada em dados fraudulentos. Que pesadelo seria!"

Schatten trabalhava com o coreano na tentativa de produzir embriões clonados de macacos. "Finalmente, anos depois da fraude, isso foi feito, e foi necessário usar 500 óvulos de macaca para chegar ao resultado. Se extrapolarmos isso para humanos, seria um número ridículo, impraticável, mas é teoricamente possível", diz.

E como Hwang conseguiu enganar tanta gente por tanto tempo? "Sabe, uma parte enorme das evidências científicas depende de confiança [nos estudos publicados]. Mas o bom da ciência é que ela tem mecanismos de autocorreção."

Compartilhe

twitter delicious Windows Live MySpace facebook Google digg

Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u704272.shtml


 

 

Política de Privacidade