Candidata do PC do B líder em Belo Horizonte quer apoio de esquerda do PT e ministros
PAULO PEIXOTO
da Agência Folha, em Belo Horizonte
A coordenação da campanha da deputada federal Jô Moraes acredita que a liderança da candidata do PC do B na corrida pela Prefeitura de Belo Horizonte, como apontou o Datafolha, vai atrair apoios de pessoas de diferentes partidos e de lideranças comunitárias.
Isso a ajudaria a enfrentar Marcio Lacerda (PSB), que tem o apoio do governador Aécio Neves (PSDB) e do prefeito Fernando Pimentel (PT) e 12 minutos da TV no programa eleitoral --contra apenas 2 minutos da comunista.
Se a esquerda petista já aderiu à candidatura dela, Jô Moraes quer agora que nomes como os dos ministros Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) e de Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência) engrossem a sua campanha.
Patrus já disse que não pretende participar da campanha em Belo Horizonte, já que o PT apoia Lacerda, um nome que ele não conhece.
Interlocutores de Patrus, porém, dizem nos bastidores que lideranças comunitárias a eles ligados não têm compromissos partidários e podem trabalhar para Jô Moraes. É o que espera Zito Vieira, coordenador da campanha do PC do B.
"Essa pesquisa amplia muito os apoios a partir da simpatia dos ministros Patrus e Dulci, aumenta a convicção do vice-presidente José Alencar [do PRB, que faz parte da aliança] e atrai dissidentes do PV e do PTB [que estão com Lacerda]."
Jô Moraes lidera com 20% das intenções de voto a pesquisa Datafolha publicada ontem. Lacerda tem 6%, mesmo percentual de Vanessa Portugal (PSTU). Eles estão tecnicamente empatados com o deputado federal Leonardo Quintão (PMDB), que aparece em segundo lugar com 9%.
A intenção de voto obtida por Jô Moraes reflete a base do PC do B em BH, fincada especialmente na classe média. O partido sempre teve boa penetração em sindicatos como os dos médicos, além do meio estudantil. Isso é retratado na pesquisa.
Ela tem melhor desempenho entre os entrevistados de 45 a 59 anos (23%), entre os mais escolarizados (28%) e entre os que possuem renda acima de dez salários mínimos (26%).
BH é base eleitoral de Jô, que já foi vereadora na cidade e onde teve sua principal votação para deputada estadual (em 2002) e federal (em 2006).
No comitê de Lacerda há "tranqüilidade", segundo o deputado estadual Roberto Carvalho (PT), candidato a vice-prefeito na chapa. "Isso já era esperado. Buscamos um crescimento lento e seguro."
Os marqueteiros de Lacerda apostam na exploração do apoio de Aécio e Pimentel na propaganda eleitoral no rádio e na TV, quando o candidato deverá ter 12 minutos, pelos cálculos dos partidos. Jô Moraes terá apenas dois minutos. E Quintão, cerca de 5min40.
O pouco tempo de TV é um prejuízo para a aliança PC do B-PRB, em relação aos principais concorrentes. A aliança quer suprir esse problema com uma campanha de rua ampliada, com envolvimento de muitos estudantes e associações comunitárias, para atingir especialmente as periferias.
A Justiça Eleitoral impugnou a candidatura de Gustavo Valadares por ter o DEM escolhido o vice fora do período de convenções. O partido vai recorrer.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u426389.shtml
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